Substitua Os Pronomes Em Destaque Por Pronomes Oblíquos
Dominar a substituição de pronomes em destaque por pronomes oblíquos é um dos segredos para frases mais fluidas e naturais em português. No lugar de repetir nomes ou substantivos, usamos o que, quem, lhe e lhes para manter a coesão textual e evitar ambiguidade. Este guia explica, com exemplos práticos, como identificar os pronomes a serem substituídos e aplicar corretamente os pronomes oblíquos em diferentes contextos, desde orações simples até situações mais complexas de regência verbal.
Resumo dos principais pontos
- Identifique o pronome em destaque que pode ser substituído por pronomes oblíquos.
- Use o, a, os e as para complementos diretos, e me, te, lhe e lhes para complementos indiretos.
- Em casos com dois verbos, o pronome geralmente aparece entre eles ou antes da primeira forma verbal.
- Em negação, o pronome oblíquo vem antes do verbo e a palavra não permanece no início da frase.
- Com se, si e lhe há regras de concordância e uso que exig atenção ao contexto.
O que são pronomes oblíquos e por que usá-los?
Os pronomes oblíquos são palavras que substituem nomes ou grupos nominais, recebendo a ação do verbo de forma indireta ou direta, mas sem se tornarem o sujeito da oração. Eles aparecem antes do verbo em frases afirmativas e após o verbo em algumas estruturas específicas, como infinitivo e imperativo. A principal vantagem é evitar repetições desnecessárias e deixar a linguagem mais clara. Por exemplo, em vez de dizer “Maria entregou o livro para João”, podemos dizer “Maria lhe entregou o livro”, usando lhe como substituto de “para João”. Essa técnica é essencial para a coesão e para o fluxo da escrita e da fala.
Como identificar o pronome em destaque na frase?
Para substituir corretamente, primeiro localize o núcleo que pode ser substituído por um pronome. Normalmente, trata-se de um pronome em destaque que representa uma pessoa, lugar ou coisa mencionada anteriormente. Pergunte-se: “quem ou o quê está recebendo a ação do verbo?” Se a resposta for um nome próprio ou substantivo, você pode usar um pronome oblíquo. Exemplo: em “Eu devo devolver o celular para Carlos”, o destaque é “Carlos”. Nesse caso, a substituição correta é “Eu devo devolvê-lo” ou “Eu lhe devolvo”. A identificação precisa evita erros de regência e mantém o sentido original.

Quais são as regras para usar o e a de forma correta?
Os artigos masculino singular o e feminino singular a funcionam como pronomes oblíquos no complemento direto quando substituem substantivos masculinos e femininos, respectivamente. A regra é simples: se o nome for masculino, use o; se for feminino, use a. No plural, temos os e as. Por exemplo:
- “Comprar o livro” → “Comprá-lo” ou “Comprar o” (masculino singular).
- “Limpar a casa” → “Limpá-la” ou “Limpar a” (feminino singular).
- “Ajudar os amigos” → “Ajudá-los” (masculino plural).
- “Escolher as mesas” → “Escolhê-las” (feminino plural).
Essa escolha mantém a concordância em gênero e número com o substantivo substituído, garantindo clareza e precisão.
E quando usar lhe e lhes?
Os pronomes lhe e lhes são usados para substituir complementos indiretos, ou seja, quando há uma indicação de beneficiário, destinatário ou agente de uma ação. Use lhe para uma pessoa singular e lhes para o plural, não importando o gênero. Exemplos:

- “Entreguei o presente para ela” → “Entreguei lhe o presente” ou “Entreguei-a lhe” (embora a forma com “lhe” seja mais comum no Brasil).
- “Mostrei as fotos para nós” → “Mostrei lhes as fotos”.
- “O cliente ligou para você” → “O cliente lhe ligou”.
Em situações duplas, como “Eu expliquei para Maria e João”, a forma correta é “Eu lhes expliquei”, cobrindo ambos. Atenção à ordem dos pronomes em frases com mais de um verbo ou em pergunta.
Como funciona em se, si e outras situações com se?
A palavra se pode atuar como pronome reflexivo ou como substituto de lhe/lhes em construções indiretas, especialmente em português falado e informal. Quando se substitui lhe/lhes, não há mudança de caso, mas é preciso atenção ao contexto para evitar ambiguidade. Por exemplo:
- “Ele lavou o carro” → “Ele se lavou” (reflexivo).
- “Eu devolvo o livro para você” → “Eu se devolvo” ou, de forma mais comum, “Eu lhe devolvo”.
Em frases com infinitivo, a forma muda: “É importante lavar bem” → “É importante lavá-lo” (complemento direto) ou “É importante lavar-lhe” (complemento indireto). O uso de si aparece em contextos reflexivos intensificados ou em orações subordinadas, sempre buscando clareza na referência.

Como tratar a posição do pronome em frases com verbos?
A localização do pronome oblíquo varia conforme a estrutura da frase. Em orações afirmativas com verbo conjugado, o pronome geralmente precede o verbo: “Lhe devolvi o livro”. Já no infinitivo, pode ficar antes ou grudado no verbo: “Devolvê-lo” ou “Devolver lhe”. No imperativo, o pronome vem depois do verbo, unido por hífen: “Entrega-me” ou “Devolve-lhe”. Em negação, o pronome vai antes do verbo: “Não lhe devolvi”. Manter essa ordem garante que a frase seja gramaticalmente correta e natural para o ouvido brasileiro.
Perguntas frequentes
- Diferença entre "o" como artigo e "o" como pronome? Quando substitui um substantivo masculino específico, o artigo o vira pronome oblíquo. Ex.: “Comprar o” (substituindo “o livro”) é a forma reduzida do pronome “o” em frases como “Comprá-lo”.
- Pode usar "lhe" para qualquer pessoa? Sim, lhe serve para ambos os gêneros e pode ser substituído por a ela ou a ele em frases mais formais, mas mantém a neutralidade de geralmente usado no cotidiano.
- E em frases com “para mim”, “para você” e “para nós”? Essas expressões podem ser substituídas por me, te e nos, respectivamente, desde que sejam complementos indiretos: “Para você devolvo” → “Te devolvo”.
- Como evitar erros com "si" e "se"? Use se apenas quando a ação for recíproca ou o sujeito for o mesmo do objeto: “Ela lavou o cabelo se” (reflexivo). Para objeto indireto de terceiros, prefira lhe ou lhes.
Praticar a substituição de pronomes em destaque por pronomes oblíquos exige atenção à regência e ao contexto, mas traz agilidade e elegância à comunicação. Com os exemplos e regras apresentados, você pode transformar frases repetitivas em orações concisas, fluidas e gramaticalmente corretas, tanto na escrita quanto na fala.
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